ONGs e empresa ligadas a Garotinho recebem recursos do Governo Federal
O quebra-cabeça do esquema de repasse de dinheiro à campanha do pré-candidato do PMDB à Presidência, Anthony Garotinho, por meio de ONGs e empresas acaba de ganhar novas peças. De acordo com o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), além de terem recebido do governo do Rio de Janeiro, três das 12 ONGs envolvidas nas irregularidades também prestam serviços ao Governo Federal. Das empresas envolvidas, a Brasília – Empresa de Serviços Técnicos Ltda. (Best), acusada de alugar veículos para o Governo do Rio a preços superfaturados, recebeu da União, só no ano passado, R$ 9,7 milhões.
Este ano, a Best, que está cadastrada na Receita Federal com três CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) diferentes - um no Rio de Janeiro, outro em São Paulo e mais um em Brasília - recebeu quase R$ 2 milhões do Governo Federal. A empresa, que tem uma linha de fornecimento de mais de 60 serviços, dispõe-se a atuar nas mais diversas áreas, como obra civil de jardinagem, transporte rodoviário, limpeza, serviços de informática, telemarketing, dedetização, dentre outras. Em 2004, a Best recebeu outros R$ 13,5 milhões da União.
Das organizações não governamentais denunciadas, a Fundação Oscar Rudge, que embolsou R$ 12,2 milhões para o Projeto Emergência em Casa do governo do Rio, também recebeu, no ano passado, R$ 500 mil do Fundo Nacional de Saúde do Governo Federal. Na descrição do empenho, o valor gasto é referente à "aquisição de equipamentos e materiais permanentes". Este ano, a fundação já tem um empenho do Ministério da Saúde de R$ 78,5 mil para contratação de empresa especializada em eventos. O dinheiro serviu para pagar a recepção de 3.490 candidatos aprovados em concurso público. Para ver o empenho, clique
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O Instituto de Organização Racional do Trabalho do Rio de Janeiro (Idort) é outro que, além dos R$ 13,6 milhões pagos pelo Estado do Rio, recebeu mais R$ 4.316,50, pagos pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) para um treinamento na área de administração. Além disso, em 2005, o Ministério da Agricultura pagou para o Idort outros R$ 5.906 mil pela realização de uma palestra com o professor Luiz Fernando da Silva Pinto. O dinheiro que saiu dos cofres do Rio de Janeiro foi pago, supostamente, para que o Idort gerenciasse o Programa de Nutrição na Saúde e prestasse serviços à Fundação de Apoio à Escola Técnica.
A terceira Instituição que mantém contratos com o Governo Federal é o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Treinamento (IBDT), que ganhou em dezembro do ano passado R$ 80 mil pela realização do II Projeto de Mulheres Quilombolas no Estado de Alagoas, da Fundação Cultura Palmares, entidade ligada ao Ministério da Cultura. Para ver o empenho, clique aqui.
A tentativa frustrada de Anthony Garotinho de fazer uma campanha mais transparente revelou repasses, supostamente ilegais, de R$ 112 milhões que saíram dos cofres do Rio de Janeiro para pagar ONGs e empresas de fachada. O vexame público parece não ter sido suficiente. A solução encontrada pelo pré-candidato do PMDB à presidência foi iniciar uma greve de fome, que já dura 5 dias, como forma de protesto às acusações que ganham cada vez mais peso.
Aline Sá Teles
Do Contas Abertas